12 de dezembro de 2016
Tudo começou quando decidi não levar o guarda-chuva hoje. "Tempo
ensolarado" eles [google] disseram. Aquele calor o dia todo, bom de fritar
um ovo na calçada, até aí tudo bem. Saindo da
faculdade, vou pra Central pegar o famoso busão. Na Linha Vermelha avisto
formações nebulosas no céu dignas do príncipe das trevas, ou das nuvens das
cenas finais do filme Donnie Darko ou daqueles tornados do filme Twister, que
carregam as vaquinhas pro céu. Pensei que seria sugado para uma dimensão
paralela (seria meu sonho?), mas na vdd fui atingido tão forte pela chuva
quanto o PMDB foi atingido pelas planilhas da Odebretch. Começou a chover pela
minha janela e tentei por longos minutos fechá-la, mas desisti. Volta o cão
arrependido com as orelhas abaixadas, o osso ruído e o rabo entre as patas
(Chavo del Ocho, 1980) pro meio do bus. O cara que tava sentado do meu lado
chega pro canto e de uma só vez fecha a janela, me humilhando na frente de
todos os passageiros que claramente estavam assistindo a luta feroz pela vida
do menino que se molhava na janela. Chego pro fundo do ônibus. Eis que o
calvário continua. A saída superior de emergência estava entreaberta e começa a
pingar do meu lado. Mudo pro espaço dos cadeirantes e percebo o vidro rachado
da janela com a água entrando e batendo na minha bermuda. Desisto de sair e
resisto com bravura até o Fundão. Descendo do bus, percebo que do ponto até
minha casa simplesmente não há marquises pra me proteger. Andando por longos
minutos com pingos d'água de uma tonelada batendo na cabeça só consigo pensar
em duas coisas:
1) Como pode a esquerda brasileira ter sido omissa
durante tanto tempo no que se refere ao trabalho de base e agora estarmos
frente a uma situação de duro ataque da direita e sem possibilidades de reação
organizada de cunho popular sem que a mesma rejeite abertamente os partidos de
esquerda?
2) Por que eu não levei o guarda-chuva?
Moral da história: sempre levem o guarda-chuva.


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