5 de abril de 2017


Quando eu era criança, amava ir ao supermercado. Correr pendurado no carrinho (sinto falta), me esconder dos meus pais entre as gôndolas (@meu deus do céu que moleque chato do caralho), colocar tudo quanto é porcaria no carrinho como se não houvesse amanhã, aquelas provas de frios que pra mim viravam refeição (please come back to Brazil). Hoje eu prefiro levar um tiro do que sair de casa pra isso. Tudo é feito pra irritar. Aquela dança dos carrinhos pra desviar um do outro, gente que bloqueia a passagem, gastar dinheiro comprando coisa que não é doce (única compra possível), aguentar fila lerda… Especialmente hoje ela tava muito lerda. Eu tava aflito empurrando meu carrinho de um lado pro outro. Por duas vezes esbarrei sem querer no carrinho de frente e a moça deu aquela encarada pra me colocar no meu lugar. Essa moça conversava tranquilamente com a caixa, ignorando aquela fila maior que a do saque do FGTS bem ali atrás. Não me senti tão culpado assim. Eu declarava maldita até a 8° geração da família da caixa lerda por me fazer esperar tanto. Ela me atendeu perguntando se eu tinha Dotz e eu naquele sorriso amarelo dizendo que não, torcendo pra ela não insistir nisso e atrasar ainda mais. Não sabia eu que apesar dela não ter insistido, tive que sair da fila duas vezes pra trocar o Prestobarba porque a embalagem simplesmente abria. Duas vezes. Em duas mercadorias distintas. Eu me tornei o atraso da fila. Falhei como ser humano.
Lá vai uma autocrítica: como eu sou rabugento! Escrevendo isso aqui reparei que eu tô reclamando de gente conversando. Eu realmente falhei como ser humano 😟

Comentários

Postagens mais visitadas